Nos dias passados, o Vaticano anunciou a renúncia do arcebispo da Mãe de Deus em Moscou, dom Paolo Pezzi, de 65 anos, que ocupava o cargo desde setembro de 2007, deixando como administrador sede vacante et ad nutum Sanctae Sedis o bispo auxiliar da arquidiocese o fradre menor conventual russo Nikolai Dubinin, de 53 anos, titular de Águas de Bizacena, que desde 2020 acompanha o setor norte do vasto território diocesano, com sede em São Petersburgo. Trata-se de uma mudança inesperada, que suscita diversas interrogações sobre o futuro de toda a Igreja Católica na Rússia, visto que o arcebispo de Moscou é a figura mais importante e significativa sas estruturas eclesiásticas que também incluem outras três dioceses: uma em Saratov, no sul da Rússia europeia, e duas na Sibéria, em Novosibirsk e em Irkutsk.
Na verdade, o estado de saúde de dom Pezzi já deixava antever há tempos essa possibilidade, não obstante a idade do prelado, cuja idade canônica para aposentadoria é de 75 anos. Há dois anos, ele passou por uma cirurgia bastante complexa e, por muito tempo, não conseguiu manter o ritmo de um serviço tão exigente, não apenas devido ao vasto território que abrange quase 80 paróquias, espalhadas por todo o país, chegando até o enclave de Kaliningrado, na Polônia, mas também pelas muitas outras razões, tanto internas quanto externas relativas à vida dos católicos russos.
O próprio Pezzi fez questão de sublinhasr essa circunstância em sua homilia na Missa de 2 de maio, logo após o anúncio de sua renúncia, aceita pelo Santo Padre, declarando que "para que fique claro e não se difundam teorias da conspiração e boatos falsos, desejo declarar que solicitei minha renúncia devido à minha saúde, que não me permite administrar adequadamente esta maravilhosa e amada diocese". Por ora, o arcebispo permanece em Moscou, na Cúria, à disposição do "querido bispo Dubinin" para quaisquer necessidades que julgar importantes e úteis. Ele especificou que "a partir de agora, não serei mais mencionado na oração eucarística, mas isso não significa que vocês não devam rezar por mim, como têm feito durante estes quase dezenove anos do meu ministério".
Após esses comentários sobre sua situação pessoal, o arcebispo expressou a intenção da Santa Missa de "oração pela unidade e reconciliação em nossa Igreja". De fato, existem tensões e motivos de divisão entre os católicos russos, a ponto de ele perceber como "em nossas difíceis condições, o demônio está muito ativo, espalhando conflitos especialmente nas famílias, mas também nas comunidades onde diferentes indivíduos e grupos começam a se confrontar acaloradamente". Ele admite que "é possível e até desejável que haja opiniões divergentes, inclusive aquelas que discordam das decisões do bispo, razão pela qual estamos aplicando cada vez mais o método sinodal", mas quando as decisões são tomadas, "elas devem ser apoiadas".
O bispo renunciante pediu perdão por todos os seus erros e pecados, bem como por quaisquer ofensas, "embora eu não me recorde de ter ofendido alguém", assegurando que "já perdoei há muito tempo aqueles que me ofenderam". De fato, não faltaram críticas, algumas até mesmo ultrajantes, dirigidas a ele, particularmente em relação à sua gestão dos prédios restituídos há alguns anos da Igreja de São Pedro e São Paulo em Moscou, e um aspecto particularmente doloroso do ministério do bispo Pezzi foi o abandono do sacerdócio por alguns membros do clero local. No início deste ano, ele foi duramente criticado por não ter assinado o apelo do Comitê Consultivo Inter-confessional da Rússia em Defesa dos cristãos perseguidos na Ucrânia, na prática uma declaração em favor da influência do Patriarcado de Moscou nos conflitos inter-religiosos dentro do país, que foi invadido pelas forças russas. Naquela ocasião, o vigário geral de Moscou, padre Kirill Gorbunov, explicou que o arcebispo Pezzi "expressa seu apoio às posições expressas no apelo, mas, de acordo com as disposições canônicas da Igreja Católica, ele não tem jurisdição para fazer declarações oficiais sobre outros países", o que provavelmente suscitou reações negativas entre expoentes estatais russas.
Coloca-se, portanto, a questão não apenas da nomeação à sucessão do arcebispo de Moscou, mas também da relação da Igreja Católica na Rússia com as instituições civis e eclesiásticas, a partir do presidente Vladimir Putin e do patriarca Kirill (Gundyaev). O fim do mandato de Pezzi marca a conclusão de uma fase importante na revitalização da Igreja Católica no período pós-soviético, que poderia ser dividido em duas fases: a reconstrução e reabertura de estruturas fechadas após a revolução, liderada de 1991 a 2007 pelo arcebispo bielorrusso Tadeusz Kondrusiewicz (atualmente em repouso em Minsk), e a preservação e defesa do que havia sido reconstruído, tarefa empreendida durante a missão de quase vinte anos do arcebispo italiano Paolo Pezzi.