O ataque, ocorrido no final de abril, resultou na destruição de infraestruturas religiosas e sociais, incluindo a igreja paroquial, residências missionárias e uma escolinha comunitária, deixando a missão praticamente reduzida a cinza.
Dom Inácio Saúre denunciou a difusão de mensagens de ódio contra os cristãos, alertando que tais actos contrariam a convivência pacífica entre diferentes religiões em Moçambique.
“O Deus de Abraão, o Deus de Maomé e o Deus de Jesus Cristo não é um Deus do ódio e do crime, mas um Deus do amor”, afirmou o prelado.
O arcebispo apelou ao fim da violência e rejeitou qualquer forma de extremismo religioso, sublinhando que os muçulmanos “não são inimigos”, mas irmãos, reforçando a necessidade de convivência harmoniosa entre todos.
“Cessem de semear a destruição e a morte. Que nunca apareça a islamofobia, porque os muçulmanos são nossos irmãos muito amados”, acrescentou.

Enquanto isso, jovens católicos da Arquidiocese de Nampula, também reagiram com tristeza à violência no norte do país.
Para Henriques Magaza, os ataques são sinal de afastamento dos valores espirituais.
“É de lamentar. Precisamos voltar para Deus, ouvir a sua palavra e rezar para que estas pessoas mudem de vida”, disse.
Já Nilza Manuel Carlos Antônio deixou uma mensagem de encorajamento às vítimas:
“Muita força aos irmãos que sofreram. Não desistam, Deus está a ver e vai agir.”

Também o responsável juvenil Malito João sublinhou que a Igreja continua empenhada em responder aos desafios sociais e espirituais da juventude.
Num contexto marcado pela violência persistente em Cabo Delgado, a Igreja Católica em Moçambique reafirma, através dos seus líderes e jovens, o compromisso com a paz, o diálogo inter-religioso e a defesa da dignidade humana.